Entre as vítimas está o ex-companheiro da investigada, que havia deixado São José do Rio Preto (SP) para viver em Paranaíba.
30 novembro, 2025 - 21h46
Por: Daniela Santos – Notícias do Cerrado
Uma investigação minuciosa da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Paranaíba (MS) resultou na condenação de uma mulher de 36 anos a 22 anos, 9 meses e 16 dias de prisão por uma série de crimes praticados na internet ao longo de dois anos. A decisão judicial, ainda sujeita a recursos, aponta que ao menos 15 pessoas foram alvo de uma ampla campanha de perseguição, difamação e ataques digitais.
O caso começou a ser desvendado após reiteradas denúncias de ameaças e hostilidades virtuais. Entre as vítimas está o ex-companheiro da investigada, que havia deixado São José do Rio Preto (SP) para viver em Paranaíba. Ao descobrir o novo endereço dele, a autora iniciou a divulgação online de acusações falsas, afirmando que o homem seria “estuprador de crianças” e estaria foragido da Justiça — afirmações que não possuíam qualquer respaldo e acabaram reverberando entre familiares, amigos e locais de trabalho da vítima, causando prejuízos emocionais e profissionais.
As apurações revelaram que a investigada operava de forma planejada: usava chips telefônicos registrados em nome de terceiros, inclusive das próprias vítimas, além de perfis falsos criados em diferentes plataformas. A quebra de sigilo telemático, autorizada pela Justiça, permitiu aos policiais rastrear contas, mensagens e linhas telefônicas diretamente ligadas à mulher. Os investigadores também descobriram que ela ingressou com uma ação judicial alegando abandono afetivo do ex-companheiro e apresentou supostas conversas que, segundo as vítimas, teriam sido manipuladas.
Diante da continuidade dos ataques, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva e um mandado de busca domiciliar. As ordens foram cumpridas em 30 de setembro de 2024, em São José do Rio Preto, onde a suspeita foi detida. Ela permanece presa desde então.
A sentença reconheceu a prática de múltiplos crimes, entre eles denunciação caluniosa, ameaça, falsa identidade, perseguição (stalking), falsidade ideológica, invasão de dispositivo informático e injúria racial. Segundo a Polícia Civil, o caso é emblemático pela complexidade das estratégias utilizadas e reforça a importância de denúncias para coibir crimes digitais cada vez mais frequentes.
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