Ribas do Rio Pardo emerge como epicentro da revolução florestal que redefine o agronegócio de Mato Grosso do Sul

Ribas do Rio Pardo deixa de ser apenas um município do interior para se afirmar como símbolo de uma nova fronteira produtiva

15 janeiro, 2026 - 15h39


Produção florestal alcança recordes em MS e atrai atenção internacional. (Foto: Reprodução)

Por: Redação Notícias do Cerrado

O avanço silencioso, porém consistente, da produção florestal está redesenhando o mapa do agronegócio em Mato Grosso do Sul — e no centro dessa transformação está Ribas do Rio Pardo. O município concentra a maior área de eucalipto do estado e se consolida como um dos principais polos estratégicos da nova economia florestal brasileira, impulsionada por investimentos industriais, expansão de mercado e crescente demanda internacional por celulose.

Dados do mais recente do Boletim Casa Rural, da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), revelam que o cultivo florestal está fortemente concentrado na Costa Leste do estado, no eixo que liga Campo Grande à divisa com São Paulo. Nessa faixa territorial, o eucalipto já ocupa mais de 1,89 milhão de hectares distribuídos em 74 municípios. Ribas do Rio Pardo lidera com folga, respondendo por 26,8% de toda a área plantada, seguido por Três Lagoas (19,2%) e Água Clara (10,5%).

Esse protagonismo não é casual. Ribas do Rio Pardo reúne condições logísticas, disponibilidade de terras e um ambiente favorável a grandes projetos industriais, fatores que atraíram investimentos bilionários no setor de celulose e transformaram o município em referência nacional. A presença de grandes empreendimentos elevou a demanda por madeira, estimulou o arrendamento de terras para o cultivo de eucalipto e gerou impactos diretos na economia local, com criação de empregos, aumento da arrecadação e fortalecimento da cadeia de serviços.

Expansão

A tendência, segundo especialistas, é de expansão contínua. Em entrevista ao podcast Agro de Primeira, o presidente da Reflore/MS, Junior Ramires, avalia que o cultivo de eucalipto deve crescer ainda mais nos próximos anos, consolidando Mato Grosso do Sul — e especialmente Ribas do Rio Pardo — como um dos principais territórios florestais do país. O avanço é puxado pela demanda global por celulose e pelo posicionamento estratégico do estado no comércio exterior.

Os números das exportações confirmam esse movimento. Entre janeiro e novembro de 2025, o setor florestal registrou receita 19% superior à do mesmo período de 2024, mantendo a liderança absoluta entre os produtos mais exportados do agronegócio sul-mato-grossense. O segmento respondeu por 31% de todas as exportações do agro estadual, movimentando US$ 2,858 bilhões em negócios e embarcando 6,3 milhões de toneladas para 44 países.

A celulose domina amplamente a pauta exportadora, responsável por 99,65% da receita do setor. Papel (0,25%) e madeira (0,11%) aparecem na sequência. A China se mantém como principal destino, absorvendo 55,3% da receita e mais de 3,47 milhões de toneladas. Itália (10,5%) e Países Baixos (5,2%) completam o ranking dos maiores compradores.

Cenário

Para o especialista em comércio exterior Aldo Barrigosse, o cenário tende a ser ainda mais favorável. Ele avalia que o acordo entre Mercosul e União Europeia poderá ampliar o acesso a mercados, reduzir barreiras tarifárias e fortalecer a competitividade da celulose brasileira, beneficiando diretamente polos produtores como Ribas do Rio Pardo.

No mercado interno, a forte demanda da indústria sustenta a valorização da madeira. Em novembro de 2025, o preço médio do eucalipto clonal vendido como “árvore em pé com casca” fechou em R$ 179,46 por metro cúbico. Já o eucalipto citriodora, utilizado principalmente na produção de madeira tratada, registrou alta de 5,85%, alcançando R$ 124,38 por metro estéreo, impulsionado pela menor oferta relatada pelos fornecedores.

Enquanto o eucalipto vive um ciclo de expansão e valorização, a seringueira enfrenta um cenário mais desafiador. O preço do coágulo caiu 7% em dezembro de 2025, chegando a R$ 4,03/kg no DRC 53%, reflexo de estoques elevados e da retração da indústria de pneus, pressionada pelo aumento das importações. No mercado internacional, as cotações se mantiveram estáveis, mas a elevação do frete marítimo impactou o custo final da borracha importada.

Ainda assim, é o setor de base florestal que assume o papel de motor econômico do estado. E, nesse contexto, Ribas do Rio Pardo deixa de ser apenas um município do interior para se afirmar como símbolo de uma nova fronteira produtiva, onde o agronegócio tradicional dá lugar a uma economia florestal integrada, globalizada e cada vez mais estratégica para o Brasil.


com informações do Primeira Página

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