Projeto capacita mulheres e amplia presença feminina na construção civil em MS

Iniciativa do Senai com entidades do setor forma 90 alunas em cursos práticos e teóricos para suprir falta de mão de obra qualificada

02 abril, 2026 - 02h21


Ao todo, são oferecidos quatro cursos: qualificação em pedreira de alvenaria (160h); qualificação em assentadora de revestimento cerâmico (160h); aperfeiçoamento em orçamento de obras (40h) e aperfeiçoamento em operadora de Bobcat (mini-carregadeira) (40h)

Por: Redação Notícias do Cerrado

A construção civil em Mato Grosso do Sul começa a ganhar novos rostos nos canteiros de obras. A segunda etapa do projeto “Elas Constroem”, realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em parceria com o Sinduscon-MS e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, está qualificando 90 mulheres na Escola Senai da Construção, em Campo Grande.

O objetivo é claro. Aumentar a participação feminina em um setor historicamente dominado por homens e, ao mesmo tempo, enfrentar um problema crescente: a escassez de mão de obra qualificada.

A formação combina aulas teóricas à distância com atividades práticas em ambiente de obra. Na prática, isso significa que as alunas não apenas aprendem conceitos, mas também executam tarefas reais do dia a dia da construção civil, como levantamento de paredes, aplicação de revestimentos e operação de equipamentos.

Segundo a instrutora do Senai, Letícia Diniz, o modelo busca preparar profissionais prontas para o mercado. Ela explica que a metodologia integra ensino teórico com vivência prática de canteiro, o que aproxima a formação das exigências atuais da indústria.

Para a superintendente do Sinduscon-MS, Kely de Paula, o projeto vai além da qualificação técnica. A proposta também é promover empregabilidade e autonomia financeira. Ela destaca que a iniciativa contribui diretamente para reduzir a falta de profissionais no setor, ao mesmo tempo em que amplia oportunidades para mulheres.

Nos depoimentos das alunas, o impacto vai além da sala de aula. A participante Natália Vilela afirma que a experiência prática mudou sua percepção sobre o próprio futuro. Segundo ela, o contato direto com os materiais e técnicas reforça a confiança na construção de uma carreira sólida.

Já Nathaly Yashkara destaca a experiência de operar máquinas como um divisor de águas. A Bobcat, conhecida como mini-carregadeira, é um equipamento compacto utilizado para movimentação de materiais em obras. Aprender a operá-la, segundo a aluna, representa não apenas capacitação técnica, mas também uma sensação de autonomia e poder.

Ao todo, o projeto oferece quatro formações. Entre elas, a qualificação em pedreira de alvenaria, voltada à construção de paredes com blocos e argamassa, e o curso de assentadora de revestimento cerâmico, responsável pela aplicação de pisos e azulejos. Há ainda módulos de aperfeiçoamento em orçamento de obras, que ensina a calcular custos e planejar construções, e em operação de mini-carregadeira.

A iniciativa teve início ampliado em 2025, quando um projeto piloto foi desenvolvido em parceria com o departamento nacional do Senai. A proposta surgiu como resposta direta às dificuldades do setor em encontrar trabalhadores qualificados. Ao mesmo tempo, abriu espaço para diversificar o perfil da mão de obra, incentivando a entrada de mulheres na construção civil.

Com a nova etapa, o “Elas Constroem” consolida-se como uma das principais ações de inclusão produtiva no Estado, conectando qualificação profissional, geração de renda e transformação social dentro dos canteiros de obras.

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