Estado prevê envio de mais de 46 mil doses e reforça atendimento hospitalar diante do aumento de casos e mortes
02 abril, 2026 - 03h47
Estado organiza plano de vacinação e reforça a rede assistencial para enfrentamento do surto na região sul de MS
Foto: Sasul Schramm/Secom/Arquivo
Por: Redação Notícias do Cerrado
O Governo de Mato Grosso do Sul intensificou a resposta ao surto de chikungunya na região sul do Estado, com a previsão de envio de 46.530 doses da vacina para os municípios de Dourados e Itaporã. As duas cidades concentram o maior número de casos da doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e do vírus Zika.
A definição da estratégia ocorreu durante reunião do Centro de Operações de Emergências, o COE, na Secretaria de Estado de Saúde. Do total de doses previstas, 43.530 serão destinadas a Dourados e outras 3 mil a Itaporã.
A mobilização faz parte de um conjunto de ações para conter o avanço da doença, que incluem reforço no atendimento à população, ampliação do diagnóstico e intensificação da vigilância epidemiológica. Segundo o boletim mais recente, o Estado já contabiliza 1.764 casos confirmados, 3.657 prováveis e 7 mortes causadas pela chikungunya.
Para a secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, a chegada das vacinas representa um avanço importante no enfrentamento da doença. Ela afirma que a imunização passa a integrar as estratégias já adotadas para ampliar a proteção da população em um cenário considerado sensível.
A vacinação ainda está em fase de organização. Dourados foi incluído como município elegível em uma estratégia piloto nacional, o que significa que servirá como base para testar e aprimorar a aplicação da vacina em larga escala no país. A definição do público-alvo e das etapas de aplicação segue critérios técnicos e alinhamento com o Ministério da Saúde.
Além da vacinação, o Estado também ampliou a estrutura hospitalar em Dourados. O Hospital Regional passou a contar com 15 leitos exclusivos para pacientes com chikungunya, sendo 10 destinados a adultos e 5 a crianças. A medida é temporária e busca garantir atendimento adequado diante do aumento da demanda.
A superintendência de Vigilância em Saúde mantém monitoramento diário da situação, com análise constante dos indicadores. O trabalho envolve integração entre diferentes áreas, como assistência médica, vigilância epidemiológica e imunização. Entre as ações estão o fortalecimento das notificações, investigação de óbitos e suporte laboratorial por meio do Laboratório Central de Saúde Pública.
A distribuição das doses leva em conta o impacto da doença em cada região. Dourados, por concentrar o maior número de casos, receberá a maior parte das vacinas. As equipes de saúde também passam por capacitação para garantir uma aplicação segura e eficiente.
No combate ao mosquito transmissor, o Estado reforçou as ações em campo, com uso de fumacê, que é a aplicação de inseticida em forma de fumaça para eliminar mosquitos adultos, e borrifação em áreas com maior incidência. Equipes também atuam na identificação de criadouros e na orientação da população.

© Secretaria de Saúde MS/Divulgação
As ações incluem atenção especial a territórios indígenas, com presença contínua de profissionais de saúde e capacitação de agentes locais, em uma estratégia integrada entre governos estadual, federal e municipal.
Apesar do avanço da vacinação, a Secretaria de Estado de Saúde reforça que a prevenção continua sendo essencial. A principal orientação é eliminar água parada, ambiente propício para a reprodução do mosquito. Em caso de sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça e manchas na pele, a recomendação é procurar atendimento médico e evitar a automedicação.
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