Bioparque Pantanal resgata peixes afetados por fenômeno natural e amplia pesquisas científicas

Espécies debilitadas pela decoada recebem cuidados especializados e passam a integrar estudos sobre a dinâmica ambiental do Pantanal

16 abril, 2026 - 09h12


Foto: Eduardo Coutinho

Por: Redação Notícias do Cerrado

Uma expedição realizada pelo Bioparque Pantanal resultou no resgate de peixes afetados pelo fenômeno conhecido como decoada, típico do bioma pantaneiro. A ação ocorreu em fevereiro, no Rio Miranda, na região do Passo do Lontra, e mobilizou uma equipe multidisciplinar formada por biólogos, veterinários e zootecnistas.

A decoada é um evento natural caracterizado pela redução significativa do oxigênio na água, o que compromete a sobrevivência de diversas espécies aquáticas. De acordo com o biólogo-curador do Bioparque, Heriberto Guimenes Júnior, o fenômeno ocorre quando rios transbordam e entram em contato com matéria orgânica em decomposição.

Segundo ele, esse processo intensifica a atividade bacteriana, que consome o oxigênio dissolvido na água. Como consequência, há uma mortandade expressiva de peixes, principalmente daqueles que não conseguem migrar rapidamente para áreas com melhores condições ambientais.

Diante desse cenário, a equipe do Bioparque realizou o resgate de indivíduos ainda vivos, mas em estado debilitado. Após o transporte, os animais foram submetidos a um protocolo rigoroso de quarentena, com acompanhamento clínico e nutricional contínuo.

Entre as espécies resgatadas estão exemplares de cascudos, como Loricaria e Pseudohemiodon, além de bagres do gênero Amaralia, considerados mais vulneráveis às alterações ambientais provocadas pela decoada.

Além do cuidado direto com os animais, a iniciativa integra um projeto de pesquisa científica voltado à compreensão dos impactos do fenômeno sobre a ictiofauna do Pantanal. O monitoramento dos peixes resgatados permite reunir dados importantes sobre a capacidade de sobrevivência das espécies afetadas.

De acordo com Guimenes, essas informações são fundamentais para ampliar o entendimento sobre a dinâmica da decoada e contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de conservação.

Os estudos devem resultar em publicações científicas e fortalecer o papel da instituição como referência em pesquisa aplicada. A diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, destaca que a ação vai além do resgate pontual.

Segundo ela, o trabalho representa um compromisso contínuo com a preservação da biodiversidade e com a produção de conhecimento científico. Ao mesmo tempo em que os animais recebem uma nova chance de sobrevivência, também se tornam parte de um processo que ajuda a compreender melhor fenômenos naturais ainda pouco explorados.

A iniciativa reforça a integração entre conservação, ciência e educação ambiental, pilares que orientam as atividades do Bioparque no estudo e na proteção da fauna pantaneira.

Comentários fechados