Estudo aponta inversão histórica na balança florestal; iniciativas em MS e MG mostram que recuperação já é realidade e contam com apoio da iniciativa privada
20 abril, 2026 - 23h50
Reprodução Jornal Nacional. Reportagem mostra Ribas do Rio Pardo como exemplo.
Por: Rodrigo dos Santos/Notícias do Cerrado
O Brasil tem diante de si uma oportunidade concreta de mudar o rumo da sua história ambiental. Reportagem do Jornal Nacional desta segunda-feira (20/04), mostrou que um estudo recente aponta que o país pode recuperar até 13 milhões de hectares de florestas até 2035, superando as perdas e alcançando um saldo positivo capaz de contribuir para o chamado equilíbrio climático. A projeção indica uma virada importante após décadas marcadas por desmatamento acima da capacidade de regeneração.
Apesar de avanços recentes na redução da devastação, os números ainda revelam um cenário desafiador. Em 2024, o país perdeu mais de 1 milhão de hectares de vegetação nativa, enquanto conseguiu restaurar cerca de 600 mil hectares, segundo dados do MapBiomas. O ritmo atual ainda é insuficiente para compensar totalmente as perdas.
Ainda assim, especialistas apontam uma tendência de mudança. “A nossa avaliação é de que a partir de 2030 essas curvas vão se inverter. Então a gente vai chegar em 2035 com mais florestas e eventuais áreas desmatadas serão plenamente compensadas pelo fato de que a gente está plantando muito mais ou permitindo que a floresta volte naturalmente”, explicou Beto Veríssimo, cofundador do Imazon.
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Na prática, iniciativas em diferentes regiões do país mostram que essa transformação já começou. Em Sete Lagoas, em Minas Gerais, um projeto liderado pelo Instituto Terrenus aposta na recuperação de áreas degradadas dentro de propriedades privadas. A estratégia envolve diálogo direto com produtores rurais e adesão voluntária.
“Nós só explicamos os benefícios, fizemos uma carta de anuência com os proprietários, eles toparam e agora a gente começou já as atividades de plantio”, afirmou Jéssica Terra, engenheira florestal e presidente da entidade.
A meta na região é plantar 120 mil mudas de ipê-amarelo do Cerrado, espécie nativa que contribui para a recomposição do bioma e o fortalecimento da biodiversidade. Para pesquisadores, iniciativas como essa demonstram que a restauração pode ser ampliada com ganhos ambientais e sociais.
Um dos casos mais emblemáticos vem de Ribas do Rio Pardo, que até poucos anos atrás figurava entre as áreas mais degradadas do país. Em menos de quatro anos, o município conseguiu reverter esse cenário com apoio da iniciativa privada e projetos florestais estruturados.
A recuperação dessas áreas tem impacto direto no combate às mudanças climáticas. “Trazendo a vegetação para essas áreas, mais eu tenho ali a possibilidade de fazer a remoção do CO₂, o grande vilão do aquecimento global. Você pode trabalhar projetos florestais para trazer cobertura verde de novo e vida, e trazer a ciclagem de nutrientes, de água e de vida nesses locais”, afirmou Adriana Maugeri, presidente da Câmara Setorial de Florestas do Ministério da Agricultura.
O estudo indica dois caminhos principais para expandir a cobertura vegetal no país. Um deles é a restauração ecológica, que inclui plantio de mudas, dispersão de sementes e regeneração natural. O outro é a silvicultura, modelo que combina produção econômica com conservação ambiental dentro da mesma propriedade.
Nesse cenário, a atuação da Suzano ganha destaque, especialmente em Mato Grosso do Sul. A companhia, que mantém operações relevantes na região, tem ampliado investimentos em restauração ambiental e conservação de ecossistemas.
Plano de Manejo Florestal Mato Grosso do Sul 2025 Suzano
Dados recentes da empresa indicam que a Suzano mantém milhões de hectares destinados à conservação da biodiversidade no Brasil, incluindo áreas de preservação permanente e reservas legais. A companhia também desenvolve projetos de recuperação de áreas degradadas, promovendo o plantio de espécies nativas e a regeneração natural em diferentes biomas.
Além disso, a empresa assumiu compromissos públicos de longo prazo, como conectar fragmentos florestais e ampliar corredores ecológicos, contribuindo para a proteção da fauna e flora. Essas ações são consideradas estratégicas para equilibrar produção florestal com preservação ambiental.
O Brasil possui cerca de 11 milhões de hectares aptos para florestas produtivas, segundo o estudo, o que reforça o potencial de crescimento sustentável do setor. A combinação entre políticas públicas, ciência e participação da iniciativa privada pode acelerar esse processo.
Se mantido o ritmo de recuperação e ampliadas as iniciativas em curso, o país poderá não apenas compensar perdas históricas, mas assumir protagonismo global na agenda climática. Mais do que números, trata-se de reconstruir paisagens, preservar recursos naturais e garantir qualidade de vida para as próximas gerações.
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