Renovação de viaturas, câmeras inteligentes, drones e sistemas de análise de dados reforçam a capacidade de resposta policial da Capital às rodovias e regiões de fronteira
29 setembro, 2026 - 10h26
Mato Grosso do Sul ampliou o uso de tecnologia na segurança com 522 novas viaturas, câmeras inteligentes, drones e sistemas integrados de monitoramento. Sob a gestão de Eduardo Riedel, os investimentos alcançam Capital, interior, rodovias e fronteira. Para o comandante do Batalhão Rodoviário, tenente-coronel Souza, inteligência e análise de dados ajudam as equipes a identificar veículos suspeitos, acompanhar deslocamentos e responder mais rapidamente às ocorrências.
Para o tenente-coronel Souza, comandante do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária de Mato Grosso do Sul, a geografia do Estado impõe um desafio particular às forças de segurança. São quase 16 mil quilômetros de rodovias estaduais sob responsabilidade do batalhão, cerca de 8 mil deles pavimentados, em um território que faz fronteira com Bolívia e Paraguai e divisa com cinco estados brasileiros.
“Cerca de 80% da droga que entra no Brasil passa por Mato Grosso do Sul. Por sermos um estado de fronteira e fazermos divisa com grandes estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, precisamos contar com inteligência e tecnologia para enfrentar a criminalidade de forma eficiente”, afirma.
É nesse território que uma câmera capaz de identificar a placa de um veículo, um sistema que acompanha deslocamentos ou uma viatura preparada para estradas de terra deixam de representar apenas modernização de equipamentos. Na prática policial, essas ferramentas podem encurtar o caminho entre a informação e a abordagem.
Na gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, essa estrutura vem sendo ampliada por meio da renovação da frota, de equipamentos de proteção, videomonitoramento, drones, conectividade e sistemas de inteligência.
Em junho de 2026, o Governo de Mato Grosso do Sul entregou 522 viaturas, 970 coletes balísticos e 624 pistolas às forças estaduais. O investimento chegou a R$ 176,19 milhões, com equipamentos destinados aos 79 municípios, distritos e unidades especializadas.
Viaturas para diferentes realidades
A renovação da frota procura responder a uma dificuldade especialmente sensível no interior: veículos antigos ou frequentemente parados para manutenção reduzem o número de equipes disponíveis justamente onde uma unidade pode precisar atender mais de um município e percorrer grandes distâncias.
As novas viaturas foram distribuídas entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Científica, Polícia Penal e unidades especializadas. São veículos destinados a patrulhamento, investigação, resgate, perícia, combate a incêndios e atuação em terrenos de difícil acesso.
Em setembro de 2025, o Estado também anunciou 28 veículos a diesel, com investimento superior a R$ 8 milhões, para o Departamento de Operações de Fronteira e o policiamento aéreo.
A modernização, no entanto, não termina com a entrega das chaves. Frota, coletes e armamentos dependem de efetivo, combustível, manutenção preventiva, comunicação e planejamento territorial para se traduzirem em capacidade permanente de atendimento.
Câmeras transformam informação em alerta
Outra frente da estratégia está no monitoramento eletrônico.
A rede estadual opera com 123 câmeras móveis do tipo PTZ, que permitem giro e aproximação das imagens, com previsão de chegar a 129 equipamentos. Outras 28 câmeras utilizam tecnologia OCR, capaz de ler placas e cruzar os dados obtidos com registros policiais.
Entre as câmeras PTZ já instaladas, sete funcionam em Campo Grande. Das unidades OCR, oito estão na Capital e as demais nas rodovias estaduais. As imagens são acompanhadas pelo Centro de Operações da Polícia Militar, pelo Batalhão de Polícia Militar Rodoviária e pelos comandos regionais.
A estrutura utiliza a Infovia Digital, rede que conecta os 79 municípios e mais de 1,5 mil prédios públicos. Assim, uma placa captada em uma avenida ou rodovia pode ser comparada automaticamente com bancos de veículos roubados ou furtados, permitindo que uma equipe próxima seja direcionada para a ocorrência.
“As imagens também podem auxiliar na localização de desaparecidos, no atendimento a acidentes e na reconstrução de trajetos durante investigações”, explica Riedel, pré-candidato à reeleição.
Nas rodovias, essa capacidade foi ampliada com sistemas específicos de inteligência. O Defenser utiliza câmeras OCR instaladas diante das bases operacionais do Batalhão Rodoviário e em outros pontos considerados estratégicos. Já o Traffic Guard reúne cerca de 808 câmeras OCR distribuídas pelo Estado.
Essas ferramentas funcionam de maneira integrada com drones, visores termais, análise de dados, rastreamento de viaturas e monitoramento em tempo real.
“Esses sistemas nos permitem identificar veículos suspeitos, acompanhar deslocamentos e acionar a equipe mais próxima de uma ocorrência. O investimento em tecnologia dá mais eficiência ao trabalho operacional e aumenta a segurança da população”, afirma o tenente-coronel Souza.
Segundo os dados apresentados, aproximadamente 90 toneladas de drogas foram apreendidas nos últimos três meses, período em que também foram recuperados diversos veículos com registro de roubo ou furto.
“O Governo do Estado está no caminho certo ao investir em tecnologia, inteligência e análise de dados. Esses recursos potencializam o trabalho dos policiais que estão nas rodovias e garantem uma resposta cada vez mais rápida e eficiente no combate ao crime”, avalia o comandante.
Resultado precisa ir além do número de câmeras
A dimensão da rede mostra a estrutura disponível, mas a avaliação da política pública não se encerra na quantidade de equipamentos instalados.
Sua efetividade pode ser observada também pelo número de veículos recuperados, pessoas localizadas e investigações auxiliadas, além do intervalo entre a identificação de uma ocorrência e a abordagem policial.
O crescimento do videomonitoramento também traz a necessidade de protocolos para armazenamento, acesso e proteção dos dados. Ampliar a capacidade de vigilância do Estado exige que controle, transparência e possibilidade de auditoria acompanhem o desenvolvimento tecnológico.
A orientação apresentada pelo Governo Riedel para o próximo ciclo é avançar na conexão entre sistemas, no compartilhamento de informações entre as forças e na distribuição dos recursos conforme os resultados obtidos.
Drones entram no trabalho pericial
Nem toda tecnologia incorporada à segurança pública está voltada diretamente ao patrulhamento.
Desde março de 2026, a Polícia Científica utiliza drones equipados com câmeras de alta resolução e sensores térmicos. Os aparelhos permitem mapear grandes áreas, identificar variações de temperatura e produzir modelos tridimensionais.
Podem ser empregados em perícias ambientais, acidentes, incêndios, áreas alagadas e terrenos de acesso arriscado. Antes de uma equipe entrar no local, o equipamento possibilita reconhecer o espaço e planejar o levantamento.
Foram investidos R$ 58.785 nos drones, com recursos do Fundo Estadual de Segurança Pública. Doze servidores — entre peritos criminais e agentes da Polícia Científica — receberam 16 horas de capacitação para operar os equipamentos.
Nesse caso, a tecnologia não substitui o perito. Permite ampliar seu campo de observação, reduzir a exposição a riscos e registrar áreas antes que chuva, fogo, trânsito ou movimentação possam modificar as evidências.
Tecnologia exige gente preparada
A incorporação de sistemas mais sofisticados cria também outra necessidade: formar profissionais capazes de transformar dados em decisão.
Uma câmera OCR pode localizar uma placa. Um drone térmico pode revelar pontos invisíveis a olho nu. Uma plataforma pode reunir milhares de informações. Sem equipes preparadas para interpretar esses dados, porém, parte dessa capacidade se perde.
Em setembro de 2025, o Governo criou a Escola Superior de Segurança Pública, voltada à integração entre formação, pesquisa, inovação e cooperação institucional, com atenção particular à fronteira e aos novos fluxos associados à Rota Bioceânica.
No mês seguinte, Campo Grande recebeu a 53ª edição do Curso Básico de Business Intelligence Aplicado à Segurança Pública. A formação reuniu profissionais de diferentes instituições para trabalhar tratamento e visualização de dados utilizados no planejamento das operações.
“A inteligência ajuda a identificar padrões que não aparecem em uma ocorrência isolada, como repetição de veículos, horários, regiões e vínculos entre suspeitos. Assim, a atuação deixa de ser apenas reativa e passa também a orientar prevenção e investigação”, afirma Riedel.
Da máquina à presença do Estado
O conjunto de investimentos conduzido em Mato Grosso do Sul combina equipamentos, conectividade e formação profissional. A etapa seguinte é demonstrar, de maneira permanente, quanto essa estrutura reduz o tempo de resposta, amplia a recuperação de bens e contribui para o esclarecimento de crimes.
A política conduzida por Eduardo Riedel parte da premissa de que modernizar a segurança pública não significa substituir o policial pela máquina, mas ampliar as condições para que o profissional chegue mais rapidamente, enxergue mais longe e disponha de melhores informações antes de tomar uma decisão.
Para quem trabalha em quase 16 mil quilômetros de rodovias estaduais, como as equipes comandadas pelo tenente-coronel Souza, essa diferença aparece quando o dado deixa a tela e chega à estrada: uma placa reconhecida, um deslocamento acompanhado e a equipe mais próxima acionada.
É nesse momento que uma viatura, uma câmera ou um drone deixam de ser apenas patrimônio público e passam a cumprir a função para a qual foram incorporados: colocar a estrutura de segurança onde ela é necessária.
Foto: Bruno Rezende
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