Entre a Nota A e o atendimento na ponta, gestão vira base das políticas públicas

Plano de Eduardo Riedel parte de equilíbrio fiscal, transparência e gestão por resultados para aprofundar integração, controle de gastos, digitalização e qualidade do serviço ao cidadão.

03 outubro, 2026 - 10h32


Mato Grosso do Sul chega ao novo ciclo com Nota A fiscal pelo quarto ano consecutivo, Selo Diamante de transparência e mais de 700 serviços digitais. O plano de Eduardo Riedel propõe usar essa base para integrar planejamento, orçamento, dados, servidores e contratos, aprimorar o controle de gastos e transformar a gestão em atendimento mais ágil e acessível. A prioridade é fazer eficiência administrativa aparecer na vida cotidiana de quem depende dos serviços públicos.

Para quem entra em uma escola, depende de um hospital, circula por uma rodovia ou precisa resolver uma demanda com o Estado, expressões como governança, execução orçamentária, gestão contratual e controle de custos podem parecer distantes.

No desenho do Plano de Governo 2027–2030, proposto pelo governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, porém, são essas engrenagens que devem sustentar a entrega do serviço público: planejamento, tecnologia, servidores, integridade e eficiência do gasto aparecem reunidos em uma dimensão centrada no cidadão.

A proposta não trata a modernização do Estado como um objetivo isolado. Ela procura conectar a capacidade de planejar e controlar as contas àquilo que chega à população, com serviços mais ágeis, acessíveis e integrados. “A tese é simples: a máquina pública só faz sentido quando consegue transformar organização interna em resposta concreta para a população”, explica Riedel.

Da nota fiscal à capacidade de investir

Mato Grosso do Sul obteve Nota A do Tesouro Nacional pelo quarto ano consecutivo na avaliação da qualidade fiscal e conquistou, pelo terceiro ano seguido, o Selo Diamante de transparência da Atricon, sendo apontado como o único estado a atingir o nível máximo nas três edições. MS está entre os dez estados mais digitais do país, com mais de 700 serviços digitais e fibra óptica nos 79 municípios.

Outro indicador importante neste cenário é a taxa de investimento público, quase três vezes a do governo federal. Esta trajetória de equilíbrio das contas se relaciona com os reconhecimentos na área fiscal, com a ampliação da capacidade de investimento e a credibilidade institucional. São sinais relevantes de organização financeira e administrativa, mas não funcionam, por si sós, como medida da qualidade de cada serviço. “O passo decisivo é justamente transformar essa capacidade em entrega”, ressalta o governador.

Mato Grosso do Sul enfrentou, nos últimos anos, uma queda importante na arrecadação do gás e quebras de safra associadas a problemas climáticos, com redução de gastos na própria administração para preservar a responsabilidade fiscal. Para 2027–2030, a proposta é avançar do equilíbrio das contas para uma gestão mais detalhada da qualidade do gasto: melhorar previsões orçamentárias, reforçar o controle de custos, ampliar análises de custo-benefício, revisar despesas periodicamente e aproximar planejamento e orçamento.

Esse movimento desloca o debate fiscal do simples controle de despesas para a escolha de prioridades. O plano propõe que programas, projetos e investimentos sejam avaliados também por relevância, impacto, custos e esforço necessário. “Nossa intenção é aumentar a eficiência na alocação dos recursos e manter políticas permanentes de responsabilidade fiscal e sustentabilidade financeira”, aponta Riedel.

Planejamento que precisa virar entrega

Na governança, destaque para o fortalecimento do Conselho de Governança, para o planejamento estratégico, o plano plurianual e o acompanhamento de programas. Vale citar também o amadurecimento dos Contratos de Gestão e da Inteligência GOVMS, com uso de indicadores e dados para acompanhar resultados e apoiar decisões. A lógica é aproximar planejamento, orçamento e execução, reduzindo a distância entre a decisão tomada no centro do governo e a política executada pelos órgãos.

Para o próximo mandato, Riedel propõe aprofundar esse modelo com um Centro de Governo de atuação transversal, capaz de coordenar prioridades e integrar os diferentes órgãos. O plano prevê metodologia única para portfólios de projetos estratégicos e investimentos, sistemas de acompanhamento de metas e indicadores em tempo real e métodos padronizados para avaliar a efetividade e a eficiência das políticas públicas. A gestão por resultados, nesse desenho, deverá evoluir para uma cultura institucional permanente.

Essa é também a ponte com a transformação digital. A ampliação dos serviços eletrônicos, das plataformas de atendimento e da acessibilidade digital reduziu barreiras de acesso. A próxima etapa vai além da simples digitalização: integrar serviços em um ambiente único, revisar processos antes de colocá-los no meio eletrônico, ampliar inteligência artificial e automação, fortalecer atendimento multicanal, garantir acessibilidade e consolidar uma identidade digital única e segura.

Na prática, a tecnologia deve diminuir a fragmentação do Estado para quem está do lado de fora. “Em vez de o cidadão precisar compreender a estrutura administrativa para buscar uma resposta, a intenção é organizar uma experiência mais simples e integrada”, aponta o candidato. Para isso, o governo pretende ampliar a interoperabilidade entre sistemas, harmonizar bases de dados, criar painéis de monitoramento e usar informações não apenas para acompanhar resultados, mas também para antecipar demandas.

Servidores, transparência e contratos

Nenhuma transformação administrativa se sustenta apenas em sistemas. O Plano de Governo de Eduardo Riedel dedica um eixo aos servidores. Nos últimos anos houve ampliação de investimentos em qualificação profissional, desenvolvimento de competências e estruturas de gestão. Para o novo ciclo, estão previstas política permanente de formação de lideranças, capacitação continuada, modernização da gestão por competências, mecanismos de avaliação de desempenho e ações voltadas à segurança, saúde e bem-estar dos servidores.

Na área de transparência e integridade, a proposta é reforçar uma atuação preventiva. O projeto prevê ampliar a transparência ativa, implantar modelo integrado de gestão de riscos, modernizar o controle interno e a auditoria preventiva, estimular a participação social e fortalecer ações contra fraude e corrupção. Também pretende ampliar canais de denúncia, apuração e acolhimento, com política de tolerância zero para desvios de conduta. “A resposta ao cidadão deve ser ágil, clara e eficiente”, destaca o governador.

As compras públicas completam essa arquitetura. Mato Grosso do Sul antecipou instrumentos da nova Lei de Licitações, entre eles o Plano de Contratações Anual, ampliando o planejamento das aquisições e a previsibilidade para fornecedores. Entre 2027 e 2030, a agenda deverá incorporar mais soluções digitais, gestão contratual baseada em desempenho, compras compartilhadas, monitoramento por indicadores e inteligência de mercado.

É um conjunto de ações pouco visível quando comparado a uma estrada inaugurada, a um leito hospitalar ou a uma escola reformada. Mas a aposta política do plano é que essas estruturas internas definem a capacidade de o Estado executar políticas, acompanhar metas, contratar melhor, corrigir desvios e responder mais rápido. A própria dimensão de governança foi desenhada para integrar eficiência do gasto, tecnologia, pessoas, integridade e melhoria contínua dos serviços.

O desafio é fazer essa estrutura avançar até a ponta. Para o governador, a próxima etapa precisa transformar serviços, aprofundar a governança de dados, consolidar a gestão por resultados, qualificar o gasto e tornar prevenção e transparência parte permanente da administração. Em outras palavras, a Nota A é ponto de partida. “O resultado que importa para a população começa quando organização fiscal e administrativa deixa de ser apenas indicador e passa a ser percebida no atendimento”, sustenta Eduardo Riedel.

O governador associa o próximo ciclo à necessidade de fazer o crescimento alcançar cada cidadão e fortalecer todas as regiões. Transformar significa converter desenvolvimento em qualidade de vida por meio de um Estado mais inovador, sustentável, eficiente e preparado. “Para quem depende do serviço público, essa proposta é medida pela experiência concreta: o tempo de resposta, a solução encontrada, a política que funciona e o atendimento que chega”, finaliza.

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