Crianças criando crianças: o ciclo cruel da gravidez na adolescência

Eliene defende a urgência de debates sobre educação sexual nas escolas e dentro das famílias

16 outubro, 2025 - 06h54


A psicanalista, jornalista e escritora Eliene Smith trata dessa dura realidade no livro Não quero ser mãe

Por: Assessoria

 

A gravidez na adolescência continua sendo um grave desafio no Brasil, com impactos que ultrapassam a saúde física. As consequências emocionais, psicológicas, sociais e econômicas são profundas, especialmente entre meninas de 10 a 14 anos, faixa etária em que a maternidade costuma ser consequência de abuso sexual, abandono familiar e ausência de políticas públicas eficazes.

A psicanalista, jornalista e escritora Eliene Smith trata dessa dura realidade no livro Não quero ser mãe, lançado em 14 de março de 2025, em Campo Grande (MS). Embora seja uma obra de ficção, o livro é baseado em sentimentos reais de adolescentes que se tornaram mães precocemente, muitas por falta de orientação familiar, ausência de debate nas escolas ou em decorrência direta de violência sexual. A narrativa mostra como a maternidade precoce interrompe o ciclo natural do desenvolvimento, afetando sonhos, identidade e deixando marcas profundas.

Gravidez infantil: dados que chocam

De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2013 e 2023, o Brasil registrou mais de 232 mil nascimentos de mães com até 14 anos — uma média de 23 mil partos por ano. Só em 2023, foram 13.934 nascimentos nessa faixa etária.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário também preocupa: entre 2013 e 2023, ocorreram 3.993 partos de meninas com menos de 14 anos. Desde 1994, esse número ultrapassa 15 mil partos. Em 2023, foram 274 casos registrados no estado.

Esses números revelam que, todos os dias, meninas brasileiras ainda vivenciam o trauma da maternidade precoce, muitas vezes sem qualquer tipo de apoio psicológico ou social.

Consequências devastadoras

Para essas adolescentes, a maternidade precoce traz sofrimento emocional intenso. Medo, vergonha, depressão, isolamento e abandono são sentimentos frequentes. Muitas deixam a escola, afastam-se de amigos, têm seus planos interrompidos e tornam-se dependentes da família ou de políticas assistenciais. O futuro da criança também é comprometido, muitas vezes marcado pela vulnerabilidade e falta de estrutura.

“Não quero ser mãe”: o grito que ecoa

Na obra Não quero ser mãe, Eliene Smith dá voz às meninas que não foram ouvidas. A autora mostra como a maternidade não planejada pode se transformar em uma ferida emocional profunda, que se não for tratada pode levar a ansiedade, depressão e outros transtornos psíquicos. O livro questiona o discurso romantizado da maternidade precoce e propõe um olhar crítico, centrado nos danos emocionais e sociais enfrentados por essas meninas.

Eliene defende a urgência de debates sobre educação sexual nas escolas e dentro das famílias, além da importância de campanhas públicas que combatam o abuso infantil e o silenciamento das vítimas. “Ser mãe deve ser uma decisão consciente e planejada”, afirma.

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