Programa articulado entre setor produtivo e poder público deve atender 120 mil pessoas e injetar R$ 24,6 milhões anuais na economia municipal
15 abril, 2026 - 14h01
Além do impacto humano, o retorno financeiro para o município é expressivo.
Por: Redação
A Prefeitura de Campo Grande deu um passo decisivo para a segurança alimentar e o fortalecimento do campo com a sanção da Lei n. 7.603, publicada em 13 de abril de 2026. O Programa Municipal de Suplementação Alimentar com Leite e Derivados Frescos, que agora entra em fase de regulamentação, surge como uma política de alto impacto social e baixo custo por beneficiário, estimado em apenas R$ 17 mensais. Idealizado pelo Núcleo Girolando MS e articulado na Câmara Municipal pelos vereadores Salineiro e Papi, o projeto integra saúde, educação e desenvolvimento econômico em uma única estratégia intersetorial.
O programa tem como meta atender diretamente 110 mil alunos da rede municipal, 5 mil pacientes de unidades de pronto atendimento e centros de idosos, além de 5 mil famílias em situação de vulnerabilidade. O foco principal é o combate à “fome oculta” e o auxílio no desenvolvimento físico e cognitivo das crianças por meio da oferta de 250 ml de leite diários, fornecendo proteínas de alto valor biológico e cálcio essencial para a formação óssea e neurológica. Como diferencial nutricional, o projeto prevê o uso de mel de abelha floral para consumo associado ao leite, substituindo açúcares industriais e potencializando a energia para o aprendizado.
Para o presidente do Núcleo Girolando MS, Alessandro Coelho, o projeto traz dignidade ao produtor rural ao garantir um preço uniforme ao longo do ano, independentemente das oscilações do mercado. “O programa beneficia não somente a pecuária leiteira, mas também a apicultura. É um projeto abrangente onde toda a cadeia ganha e o dinheiro volta para o município. A intenção é que o recurso circule aqui dentro para fortalecer a economia local, dando autonomia financeira para que os pequenos produtores possam produzir com eficiência em suas propriedades”, afirmou Coelho.
Camila Nascimento, vice-prefeita de Campo Grande, falou sobre o projeto durante a Expogrande. “Ajustes precisarão ser feitos, em cima desse projeto, mas esse é um primeiro grande passo. Com essas parcerias, quando elas efetivamente acontecem, é de ser orgulhar. São políticas públicas eficientes e urgentes”, explica a executiva, ao valorizar o apelo do Núcleo Girolando MS.
Além do impacto humano, o retorno financeiro para o município é expressivo. Com um investimento anual de R$ 24,6 milhões, estima-se que o programa gere uma economia de R$ 10,8 milhões por ano apenas em despesas de saúde pública, devido à redução de internações e complicações clínicas, especialmente em idosos com sarcopenia. No longo prazo, cada real investido pode gerar um retorno de R$ 4 a R$ 16 em capital humano e produtividade. O impacto econômico local será imediato, com o fortalecimento de 130 a 165 produtores de Campo Grande e a manutenção de empregos nos setores de transporte e logística urbana.
A estrutura do projeto permite a utilização inteligente de recursos vinculados da educação e da saúde, respeitando os limites constitucionais e transformando gastos obrigatórios em ativos econômicos. Ao promover a prevenção em larga escala, Campo Grande se posiciona como pioneira em uma política pública que quebra o ciclo da pobreza através da nutrição qualificada, servindo como projeto piloto para futuras expansões estaduais.
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