De família de Ribas, Subtenente da PM é encontrada morta a tiros em Campo Grande e caso é investigado como possível feminicídio

Policial com trajetória histórica na corporação, Marlene de Brito Rodrigues, da tradicional Família Brito de Ribas do Rio Pardo, é encontrada morta dentro de casa; companheiro apresenta contradições e caso é tratado como morte a esclarecer

06 abril, 2026 - 18h55


A Subtenente Marlene de Brito Rodrigues, da tradicional Família Brito de Ribas do Rio Pardo (FOTO: Divulgação)

Por: Redação Notícias do Cerrado

A subtenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, foi encontrada morta a tiros no fim da manhã desta segunda-feira, 6, dentro da própria residência, no bairro Estrela Dalva, em Campo Grande. O caso é investigado pela Polícia Civil como possível feminicídio, embora tenha sido inicialmente registrado como morte a esclarecer.

De acordo com informações preliminares das forças de segurança, um vizinho da vítima, também policial militar, ouviu o som de disparo de arma de fogo e decidiu pular o muro do imóvel. No local, encontrou o companheiro da subtenente, de 50 anos, com uma arma em mãos. O homem afirmou que Marlene teria cometido suicídio.

A versão apresentada, no entanto, levantou suspeitas. Conforme apurado, o companheiro apresentou contradições ao explicar as circunstâncias do ocorrido e o motivo de estar com a arma no momento em que foi surpreendido. Ele foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para prestar depoimento, inicialmente na condição de testemunha.

Sub Marlene sempre foi respeitada na PM MS (FOTO: Divulgação)

Trajetória marcada por pioneirismo na Polícia Militar

Marlene de Brito Rodrigues construiu uma carreira respeitada dentro da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Subtenente da corporação, atuava no Comando-Geral, no setor de Ajudância Geral, função estratégica de apoio administrativo e operacional.

Ao longo de décadas de carreira, destacou-se também por seu papel histórico como uma das fundadoras da Polícia Militar Ambiental do Estado, unidade especializada voltada à proteção dos recursos naturais. Sua atuação ajudou a consolidar uma das áreas mais relevantes da segurança pública ambiental em Mato Grosso do Sul.

Natural de uma família tradicional de Ribas do Rio Pardo, a subtenente integrava a conhecida Família Brito, com forte presença social e histórica no município. Sua morte repercute não apenas entre colegas de farda, mas também em diferentes segmentos da sociedade sul-mato-grossense.

Relacionamento recente e circunstâncias sob investigação

Segundo informações divulgadas na imprensa, Marlene mantinha um relacionamento com o suspeito há cerca de um ano e quatro meses. O casal havia passado a residir junto há aproximadamente dois meses, no imóvel onde ocorreu a morte.

Equipes da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Batalhão de Choque foram acionadas e permaneceram no local durante toda a perícia. O objetivo é esclarecer a dinâmica dos fatos, incluindo a origem dos disparos e a veracidade das versões apresentadas.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre a tipificação do crime como feminicídio. No entanto, a linha investigativa considera essa possibilidade, conforme os indícios iniciais e o contexto de relação íntima entre vítima e o homem que estava na residência.

Violência doméstica e feminicídio preocupam autoridades

O caso reacende o alerta sobre a violência doméstica e o feminicídio, crimes que seguem em alta no Brasil e também em Mato Grosso do Sul. O feminicídio é caracterizado quando o assassinato de uma mulher ocorre em razão de seu gênero, frequentemente em contextos de violência doméstica ou relações afetivas.

Dados de segurança pública apontam que grande parte dos casos ocorre dentro das residências das vítimas, muitas vezes praticados por companheiros ou ex-companheiros. A investigação criteriosa é fundamental para garantir a correta tipificação e responsabilização dos envolvidos.

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher conduz o caso, que segue sob sigilo parcial para não comprometer as apurações. A expectativa é que laudos periciais, depoimentos e análises técnicas esclareçam as circunstâncias da morte.

Nota oficial da Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul lamentou profundamente a morte da subtenente e manifestou solidariedade à família, amigos e colegas de corporação. A instituição destacou a trajetória da policial e pediu respeito à privacidade dos familiares neste momento de dor.

A corporação informou ainda que acompanha o caso de perto e que todas as circunstâncias estão sendo apuradas com rigor. Equipes foram designadas para prestar suporte à família da subtenente, considerada uma profissional dedicada e de grande valor para a instituição.

O caso segue em investigação.

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