O processo seletivo da primeira turma teve alcance nacional e perfil inclusivo.
14 fevereiro, 2026 - 12h41
Por: Rodrigo dos Santos – Notícias do Cerrado
A força da chamada Rota da Celulose, que tem em Ribas do Rio Pardo seu principal polo industrial, começa a mostrar efeitos concretos em municípios vizinhos — mesmo naqueles que não abrigam fábricas. Água Clara é hoje um dos exemplos mais claros de como a atividade florestal intensa vem redesenhando a economia local.
Nesta semana, a MS Florestal, empresa sul-mato-grossense do grupo RGE, iniciou no município o inédito Programa de Formação de Operador Trainee, voltado exclusivamente à qualificação de profissionais para a colheita de eucalipto. A iniciativa surge como resposta direta à expansão do setor, que enfrenta escassez de mão de obra técnica pronta para contratação.
Diferente de cursos convencionais, o programa já começa com carteira assinada. Os 28 participantes da primeira turma foram contratados via CLT antes mesmo do início das aulas e recebem todos os benefícios desde o primeiro dia. A formação terá duração superior a um ano, sendo os seis primeiros meses dedicados a aulas teóricas, simuladores e treinamento prático em um parque de máquinas exclusivo.
Capacitação inédita em MS reúne profissionais de 5 estados que se preparam para a colheita do eucalipto
A movimentação reforça o impacto regional do chamado “Vale da Celulose”, corredor produtivo impulsionado pela nova indústria instalada em Ribas do Rio Pardo. A cadeia florestal — do plantio à colheita — tem irradiado oportunidades para cidades como Água Clara, que, mesmo sem planta industrial, concentra operações estratégicas e geração de empregos.
O processo seletivo da primeira turma teve alcance nacional e perfil inclusivo. O grupo reúne homens e mulheres de Mato Grosso do Sul, Amapá, Minas Gerais, São Paulo e Maranhão. Para a coordenadora de Recrutamento e Seleção da MS Florestal, Helen Cristina Branício Guarini e Silva, o programa vai além da formação técnica. “É uma resposta estratégica à necessidade de mão de obra especializada. Nosso compromisso é identificar talentos e oferecer ferramentas para que construam uma carreira sólida e estável, independentemente da origem”, afirma.
Histórias como a de Joérica Travasso Moreira, natural de Laranjal do Jari (AP), evidenciam o alcance social da iniciativa. Ela se mudou para Água Clara em busca da oportunidade e destaca o ambiente de acolhimento na empresa. “Estou muito feliz. É uma chance de construir uma nova história”, relata.
A capacitação prepara operadores mantenedores, profissionais aptos a atuar tanto na colheita quanto na manutenção básica dos equipamentos. Segundo o supervisor de Treinamento da MS Florestal, Durval do Nascimento Bento, o modelo prioriza segurança e estabilidade. “Primeiro contratamos e depois treinamos. Isso traz segurança para o trabalhador e para sua família”, ressalta.
A expansão já está em curso. Uma segunda turma, com 62 participantes, está em fase final de seleção, e outras 30 vagas devem ser abertas ainda no primeiro semestre de 2026.
O avanço do programa confirma o que já se percebe no interior de Mato Grosso do Sul: a Rota da Celulose não se limita às chaminés das fábricas. Ela movimenta estradas, impulsiona serviços, gera renda e fixa famílias em cidades que passam a integrar, de forma definitiva, o novo mapa do desenvolvimento florestal brasileiro.
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