Mulheres avançam em funções estratégicas no agro e na indústria de MS

Da operação de máquinas pesadas no campo à liderança em empresas e projetos ambientais, presença feminina cresce em setores historicamente masculinos e ganha protagonismo na economia rural sul-mato-grossense.

08 março, 2026 - 14h45


Carolina Conti escolheu o setor de máquinas pesadas e transfere conhecimento inspirando outras mulheres.

Por: Redação Notícias do Cerrado

 

O despertador toca antes do amanhecer para muitas mulheres que hoje ajudam a movimentar setores estratégicos da economia em Mato Grosso do Sul. No campo, na indústria, na gestão de propriedades rurais e até na restauração ambiental, a presença feminina cresce em atividades que por décadas foram ocupadas majoritariamente por homens.

Em algumas propriedades rurais, a jornada começa ainda de madrugada. Às 4h, muitas trabalhadoras já estão em atividade, conduzindo máquinas, acompanhando plantios ou organizando rotinas produtivas.

Uma operadora da MS Florestal descreve uma rotina que envolve diferentes tarefas ao longo do dia.

“Minha rotina começa cedo, às 4h da manhã, e no campo faço de tudo um pouco: manobro trator, faço o plantio e coloco a mão na massa. Sabemos que no Brasil ainda existe muito machismo, mas hoje trabalho em uma equipe excelente, com igualdade de funções e salários”, relata.

Mércia Cristina dos Santos atua na operação de máquinas pesadas no setor florestal, no município de Bataguassu.

Liderança feminina na indústria

A presença das mulheres também cresce em cargos de liderança dentro de empresas ligadas ao agronegócio. Na Servsal, empresa do setor de nutrição animal, a diretora Roberta Maia comanda uma equipe formada majoritariamente por homens.

Segundo ela, a trajetória até a consolidação no cargo exigiu firmeza e consistência profissional.

“Assumir um cargo de liderança em um setor majoritariamente masculino sendo mulher e mãe de dois filhos trouxe desafios únicos. Precisar conquistar credibilidade foi um processo que demandou tempo, posicionamento firme e, acima de tudo, a entrega de resultados consistentes”, afirma.

Roberta destaca que o reconhecimento não ocorre de forma imediata e é resultado de uma construção diária.

“Não foi algo que aconteceu do dia para a noite, foi uma construção que parece ininterrupta, porque diariamente passamos por desafios, eles só mudam de tamanho”, completa.

Gestão técnica no setor leiteiro

No setor leiteiro, o avanço feminino também aparece na assistência técnica e na gestão das propriedades. A zootecnista Giovana Albuquerque, mestre em Ciência Animal pela UFMS e técnica do Senar, acompanha produtores rurais e destaca o papel da organização de dados na melhoria da produtividade.

“Controle de dados, observação dos animais e organização das informações fazem muita diferença no resultado. Muitas vezes percebemos que quando a mulher do produtor participa da gestão das anotações e dos dados da propriedade, isso melhora muito o controle do sistema”, explica.

O trabalho técnico envolve diferentes frentes dentro das propriedades atendidas.

“No dia a dia trabalhamos com nutrição do rebanho, escrituração zootécnica, planejamento de acasalamentos, controle leiteiro e análise de custos de produção. Muitas vezes precisamos organizar dados e mostrar quais pontos podem ser ajustados para melhorar a eficiência do sistema”, detalha a especialista, que atua junto a produtores vinculados ao Núcleo Girolando MS.

Mulheres também lideram iniciativas ambientais

A participação feminina também se destaca em projetos de restauração ambiental no Estado. Pela Rede de Sementes Flor do Cerrado, coordenada pelo Instituto Taquari Vivo, mulheres quilombolas, assentadas e indígenas participam da coleta e comercialização de sementes utilizadas na recuperação de áreas degradadas no Pantanal.

O projeto já comercializou 16 toneladas de sementes nativas.

Para Jânia Batista Malaquias, da comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão, a atividade representa não apenas geração de renda, mas também fortalecimento comunitário.

“Fui motivada pela oportunidade de aumentar a renda e pelo amor pela natureza. Além da renda complementar, a experiência fortaleceu a união entre as mulheres da comunidade. E para nós, mulheres, sabermos que o nosso trabalho contribui para a preservação ambiental é motivo de orgulho”, afirma.

Presença crescente também nos viveiros florestais

Nos viveiros florestais, mulheres também ocupam funções técnicas e de liderança. A engenheira florestal Lana Moraes atua na produção de mudas e coordena uma equipe responsável pelo acompanhamento das plantas até o momento do plantio.

Lana Moraes, engenheira florestal e técnica de viveiro, destaca que as mulheres estão cada vez mais presentes e capacitadas para ocupar qualquer função no setor florestal.

“Aqui lidero uma equipe de oito pessoas, garantindo a qualidade da muda até o plantio. Muitos dizem que somos frágeis, mas temos uma força gigante; é só focar no objetivo que conseguimos”, afirma.

A profissional lembra que precisou superar dúvidas e preconceitos ao longo da formação.

“Vivi uma fase marcante quando fui mãe durante a faculdade e muitos diziam que eu não conseguiria atuar na minha área. Hoje sou engenheira florestal, estou aqui há três anos atuando firme e forte no meio de tantos homens”, diz.

Em diferentes frentes do agronegócio sul-mato-grossense, a presença feminina amplia a diversidade de perfis dentro das cadeias produtivas e reforça um movimento gradual de mudança em setores historicamente marcados pela predominância masculina.

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