O presidente da Reflore/MS, destaca a importância da conscientização e da preparação das empresas e produtores rurais para enfrentar o período de queimadas no Estado
10 outubro, 2024 - 17h24
o presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS), Junior Ramires – (Foto: Lorena Sone)
Por: Carlos Guilherme | A Crítica |
Em entrevista ao jornal A Crítica, o presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS), Junior Ramires, destacou a importância das campanhas de prevenção a incêndios florestais, que já estão em sua 12ª edição.
Segundo Ramires, o setor florestal vem se preparando há anos para lidar com os desafios do período seco, em parceria com o governo e instituições como o Senar e a Força Sul. Ele ressaltou a necessidade de conscientizar os produtores rurais sobre o uso de fogo e a importância da prevenção, já que a maioria dos incêndios é causada por ações humanas, muitas vezes criminosas. Ramirez também mencionou que as empresas associadas à Reflore possuem estrutura superior ao próprio Estado no combate aos incêndios, com brigadas treinadas, helicópteros e caminhões especializados, além de destacar a relevância da capacitação de trabalhadores rurais para agir rapidamente em emergências e evitar grandes catástrofes ambientais.
A Crítica: Qual a importância da Reflore/MS para o Estado?
Junior: A Reflore/MS representa tanto os produtores quanto os consumidores de diversas florestas plantadas no Estado, principalmente eucaliptos, que estão crescendo bastante na região. Atualmente, contamos com mais de 1,5 milhão de hectares de florestas plantadas no Mato Grosso do Sul. Essas florestas abastecem vários setores e indústrias, como a de celulose, que está se expandindo significativamente. Um exemplo é o município de Inocência, que receberá um grande investimento com a instalação da indústria Arauco. Embora a maior parte da produção de celulose se concentre na costa leste, a madeira das florestas plantadas atinge todo o Estado, sendo utilizada em diversos setores, como geração de energia e na produção de carvão vegetal para o aço e ferro-gusa, que também são importantes para a economia local. Além disso, a madeira e seus resíduos são aproveitados na produção de etanol de milho e na indústria de esmagamento de soja. O setor também produz biomassa, cavaco e madeira serrada, que são utilizados até em fornos de pizzarias, com a lenha de eucalipto. Nosso compromisso é cuidar dessas florestas e prevenir que elas sejam atingidas por queimadas.
A Crítica: Estamos vivendo um momento muito promissor para o segmento em que a Reflore atua. Se olharmos para trás, há cerca de 15 ou 20 anos, e compararmos com o cenário atual, é evidente o quanto evoluímos. Esse momento traz tanto pontos positivos quanto desafios, imagino eu.
Junior: São as dores do crescimento que enfrentamos. Embora o crescimento seja maravilhoso para o Estado, com geração de empregos, aumento de renda e desenvolvimento das cidades onde atuamos, ele também traz desafios. As grandes indústrias, como a Suzano, que recentemente fez um investimento de mais de R$ 4 bilhões em Ribas do Rio Pardo, impulsionam a economia não só do Estado, mas de todo o país, já que o Brasil é hoje um grande exportador de celulose, e Mato Grosso do Sul se tornou uma referência mundial nesse setor.
No entanto, com esse crescimento, surgem desafios, como a infraestrutura do Estado, que não está totalmente preparada para acompanhar o ritmo acelerado dos investimentos privados. As indústrias avançam mais rápido do que o governo estadual ou federal consegue acompanhar, especialmente em termos de melhorias nas estradas, o que gera um gargalo.
Além disso, temos uma situação peculiar: a falta de mão de obra qualificada. Hoje, existem mais de 10 mil vagas abertas no setor, esperando por pessoas dispostas a trabalhar. Isso representa uma oportunidade para quem busca qualificação e emprego, com muitas empresas do setor oferecendo oportunidades, inclusive com links disponíveis no site da Reflore para quem está nos municípios onde o setor se desenvolve.
Vivemos um momento de pleno emprego, o que é bom para a população, mas desafiador para as empresas que enfrentam dificuldades para encontrar profissionais. Contudo, é preferível enfrentar essas “dores do crescimento” do que lidar com o desemprego e a falta de desenvolvimento que o Estado tanto precisa.

O presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS), Junior Ramires
A Crítica: Como você vê o impacto da falta de mão de obra qualificada, que afeta diversos setores, incluindo o segmento em que a Reflore atua?
Junior: O Estado, de forma geral, está aprendendo e se desenvolvendo rapidamente. Estamos caminhando para a quinta fábrica de celulose no estado. Atualmente, temos três em Três Lagoas, onde houve três fases de desenvolvimento. A Suzano foi a responsável pelo maior impulso, e hoje já estamos com a quarta fábrica em operação e a quinta será instalada em Inocência, com a Arauco. Isso nos mostra que precisamos aprender com os erros. Como se costuma dizer, errar é aprender, e acredito que o estado está mais preparado hoje, especialmente no que se refere ao licenciamento industrial, que é feito de forma mais ágil, atraindo cada vez mais investimentos. Os municípios também têm aprendido com esse processo. Por exemplo, Três Lagoas, que tinha cerca de 70 mil habitantes, hoje ultrapassa os 120 mil, graças à industrialização. Ribas do Rio Pardo, com 20 mil habitantes, deve crescer significativamente com a chegada da indústria, e Inocência, com apenas 9 mil habitantes, também se beneficiará enormemente.
Um dado importante: durante a construção da fábrica da Suzano em Ribas, mais de 45 mil CPFs passaram pela obra, ou seja, muitas pessoas trabalharam na construção. No entanto, o desafio não está na construção, que é transitória e dura apenas dois ou três anos, mas sim em encontrar mão de obra qualificada para trabalhar na operação da indústria, nas florestas, no plantio, na operação de máquinas, como motoristas de caminhão, mecânicos para a manutenção dos equipamentos e operadores de máquinas no campo. Isso é o que está faltando hoje, e felizmente temos a oportunidade de capacitar essas pessoas e atender essa demanda crescente.
A Crítica: Como que a Reflore/MS está atuando no combate aos incêndios?
Junior: O combate aos incêndios é uma questão muito importante para o nosso setor. Há 12 anos, a Reflore/MS realiza campanhas de conscientização, preparando as empresas para enfrentar o período de queimadas. Estamos agora no fim de um dos períodos mais secos, com a expectativa de início das chuvas, embora em menores volumes.
A Reflore/MS trabalha em parceria com o governo do estado e outras instituições, como o Senar e a Força Sul, para conscientizar e apoiar os produtores rurais, que são os mais impactados pelos incêndios. A conscientização é fundamental, pois a maioria dos incêndios não começa de forma natural, mas sim por ações humanas, seja acidental ou intencional. Infelizmente, temos visto casos de incêndios criminosos, e para combater isso, é necessário intensificar a investigação com o poder público.
Nossa campanha foca na prevenção, pois a melhor maneira de combater um incêndio é evitar que ele comece. A conscientização sobre os riscos de se usar fogo para limpar terrenos durante a seca é essencial, pois isso pode sair do controle e causar grandes incêndios.
Queremos agradecer aos veículos de comunicação, como o de vocês, que nos ajudam a difundir essa mensagem por todo o estado, especialmente nas áreas rurais. Também incentivamos os produtores rurais a se prepararem melhor, com equipamentos básicos, como enxadas, abafadores e pipas de água, para responder a emergências. As empresas da Reflore/MS têm uma estrutura de combate aos incêndios até maior que a do Estado, com aviões, helicópteros, caminhões e brigadas de incêndio.
O Senar é um grande parceiro que oferece capacitação para os colaboradores das fazendas, ensinando como agir rapidamente em casos de fogo, evitando que pequenos focos se transformem em grandes incêndios. Com o treinamento adequado, os próprios trabalhadores podem agir de forma eficaz antes que a situação saia do controle. Essa prevenção é crucial para evitar os grandes problemas que estamos vendo hoje.