Expogrande aponta estratégias de gestão que estão blindando a rentabilidade do gado em MS

O palestrante explicou que o bloqueio de rotas marítimas essenciais encarece o frete e, consequentemente, o fertilizante

14 abril, 2026 - 13h52


Por: Redação

 

 

 

Diante de um cenário geopolítico mundial complexo, o 3º Encontro da Novilho Precoce, realizado nesta segunda-feira (13) durante a Expogrande, apresentou oportunidades em meio aos desafios enfretados pelos pecuáristas. O auditório lotado foi palco de um debate maduro sobre como a força coletiva do produtor sul-mato-grossense, aliada à tecnologia e à sustentabilidade, é capaz de blindar o setor contra crises externas. O evento reconfirmou que o cooperativismo e a gestão de precisão são as ferramentas essenciais para transformar a instabilidade em rentabilidade.

Com uma programação que variou da gestão técnica de pastagens à complexidade das rotas navais globais, o encontro deixou claro que o pecuarista moderno precisa olhar para além da porteira para garantir a rentabilidade. Com uma análise cirúrgica sobre os conflitos internacionais, cientista político André Lajst, conectou as tensões no Oriente Médio diretamente ao custo de produção no Brasil. O foco central foi a vulnerabilidade brasileira em relação aos insumos. “O Brasil compra mais de 20% de seus fertilizantes nitrogenados do Oriente Médio. Com o possível fechamento do Estreito de Ormuz, teremos um cenário extremamente problemático”, alertou Lajst.

O palestrante explicou que o bloqueio de rotas marítimas essenciais encarece o frete e, consequentemente, o fertilizante. “O aumento dos insumos impacta direto a produção do agro, o que se traduz em preços mais altos na mesa do trabalhador. Em um ano de eleição, isso se torna um fator político importante”, completou. Como alternativa, Lajst sugeriu que o Brasil busque diversificar fornecedores em regiões sem risco de bloqueio naval e intensifique a diplomacia comercial para mitigar as perdas.

Para Rafael Gratão, presidente da Associação Novilho Precoce, o momento exige que o produtor assuma o controle do que é possível gerir. “O André nos mostrou que não podemos controlar o mundo, mas a apresentação dos dados nos mostra o que podemos controlar: nossa eficiência. A instabilidade global é um convite para sermos ainda mais profissionais. Produzir com mais qualidade, em menos tempo e de forma sustentável é a nossa melhor defesa e nossa maior oportunidade de lucro. Estamos aqui para entregar essa inteligência ao pecuarista”, afirmou Gratão.

O Presidente do Sistema OCB/MS, Celso Régis, destacou o cooperativismo como a ferramenta essencial de resiliência. “Diante de desafios logísticos e custos elevados, como os pontuados, o cooperativismo surge como a solução para o produtor. Sozinho, o pecuarista é vulnerável; unido em cooperativa, ele ganha escala. Conseguimos negociar fertilizantes em volumes que diluem os custos de frete e acessamos mercados internacionais com maior poder de barganha. O cooperativismo transforma o desafio individual em oportunidade coletiva, garantindo que o agro de MS continue crescendo”, declarou o líder da OCB/MS.

Os dados apresentados sobre o estado foram o contraponto perfeito às incertezas externas. Mato Grosso do Sul consolidou-se como o 1º lugar do Brasil em crescimento da indústria de transformação e lidera em investimento público proporcional. O destaque agroambiental também roubou a cena: um salto impressionante de 516% na área de florestas plantadas, indicando que a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) não é apenas sustentável, mas um modelo de negócio altamente rentável. No mercado de carnes, o estado reafirmou sua força exportadora, faturando US$ 1,71 bilhão em 2024.




Fonte: Assessoria Agro/A

Comentários fechados