Operação Águas Turvas investiga fraudes em licitações de obras públicas em Bonito

O esquema envolveria empresários e agentes públicos, que — em troca de informações privilegiadas e favorecimento — recebiam vantagens financeiras indevidas.

07 outubro, 2025 - 19h19


Viatura do MPMS durante o cumprimento dos mandados (Foto: Gecoc)

Por: Redação Notícias do Cerrado

 

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou nesta terça-feira (7) a Operação Águas Turvas, que apura um esquema de fraudes em licitações de obras e serviços de engenharia no município de Bonito. A ação, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em apoio à 1ª Promotoria de Justiça de Bonito, cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Bonito, Terenos e Curitiba (PR). A operação contou com o suporte do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o MPMS, a investigação revelou a atuação de uma organização criminosa que, desde 2021, fraudava sistematicamente processos licitatórios. O grupo simulava concorrência e criava exigências específicas para direcionar os certames às empresas de sua própria estrutura, comprometendo a lisura dos processos públicos.

O esquema envolveria empresários e agentes públicos, que — em troca de informações privilegiadas e favorecimento — recebiam vantagens financeiras indevidas. Os contratos investigados somam R$ 4,3 milhões até o momento, valor que pode aumentar à medida que as apurações avançam.

Entre os crimes investigados estão organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As medidas cumpridas nesta terça-feira foram determinadas pela Justiça com base nas evidências reunidas pelo MPMS.

O nome da operação, “Águas Turvas”, faz referência à perda de transparência — um contraponto à fama de Bonito, conhecido nacionalmente por suas águas cristalinas e belezas naturais. O Ministério Público destacou que o simbolismo busca refletir a contradição entre a imagem turística da cidade e os atos ilícitos que teriam sido praticados por servidores e empresários locais.

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