Hoje, aos seis anos, João Miguel é considerado pela equipe de saúde — e por qualquer um que acompanhe sua história — um milagre em movimento.
02 dezembro, 2025 - 15h59
A história de João Miguel — iniciada no momento mais crítico dentro do Humap-UFMS — segue sendo escrita, dia após dia, com coragem, cuidado, ciência, dedicação profissional e esperança.
Por: Daniela Santos – Notícias do Cerrado
Por vezes, a vida parece ruir de um instante para o outro — e foi exatamente assim, em novembro de 2022, que o mundo da família de João Miguel, então com apenas três anos, deixou de ser o lugar seguro e previsível de uma infância em construção. Moradores de Coxim (MS), eles viram a rotina ser engolida pelo medo quando o menino recebeu um diagnóstico que, de tão abrupto, pareceu inimaginável: meningite.
Em poucas horas, a urgência se impôs. A Central de Regulação determinou a transferência imediata para o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), em Campo Grande. A partir dali, começaria a luta mais dura da vida do pequeno — e, nas palavras do pai, Rodrigo Pereira Rodrigues, também começaria “o milagre”.
Ao chegar ao hospital, João Miguel já convulsionava. Seu nível de consciência diminuía rapidamente. A equipe médica, treinada para reconhecer o que a gravidade revela no olhar, não perdeu tempo: encaminhou-o diretamente ao Centro de Terapia Intensiva (CTI). No dia seguinte, o pior cenário se confirmou. O quadro evoluiu para uma meningoencefalite severa, atingindo o tronco encefálico — região vital do sistema nervoso. João precisou ser entubado. Permaneceria assim por 20 dias que pareceram infinitos.
“Ele ficou entre a vida e a morte”, relembra o pai. “A equipe sempre foi muito realista, mas nós nunca perdemos a fé. Confiávamos em Deus e na capacidade dos profissionais que estavam ali, batalhando por ele.”
Entre medicamentos, monitoramentos incessantes e oscilações que desafiavam qualquer estabilidade, a equipe do CTI lutou para preservar o que, naquele momento, parecia frágil demais: a possibilidade de João resistir.
Quando finalmente abriu os olhos, o menino já não era mais o mesmo. O coma cobrara seu preço: ausência de força nos membros, cabeça sem sustentação, voz fragilizada. O renascimento, porém, já estava em curso.
Após a alta da UTI, João permaneceu mais 31 dias internado, dividindo cuidados entre o Humap-UFMS e o hospital da Unimed. Foram ali iniciadas as primeiras sessões de fisioterapia — passos pequenos para um corpo que precisava reaprender quase tudo.
No dia seguinte à última alta, já estava em uma clínica para iniciar um tratamento intensivo. A rotina que se seguiu exigiu força de atleta e fé de gigante: fisioterapia motora e respiratória, terapia ocupacional, fonoaudiologia, natação, karatê e ciclos de reabilitação intensiva a cada três meses.
Hoje, aos seis anos, João Miguel é considerado pela equipe de saúde — e por qualquer um que acompanhe sua história — um milagre em movimento. Carrega ainda uma sequela motora e faz uso de medicamentos contínuos, mas nada disso parece limitar a potência de seu desenvolvimento. Ele desafia, dia após dia, as previsões que um dia tentaram encurtar seu futuro.
A neurologista que o acompanha desde o CTI, a dra. Daiane Daniele, segue presente em cada etapa dessa reconstrução. “Não tenho palavras para agradecer à equipe do CTI e a Deus por tudo que fizeram por nós”, diz Rodrigo.
Para o pai, é a combinação entre amor, perseverança e espiritualidade que explica a trajetória do filho.
“Tenho certeza de que Deus tem um propósito maior na vida do João Miguel. Ele é um testemunho vivo. Um milagre. E eu creio que até essa sequela será vencida no tempo de Deus”, afirma.
A história, iniciada no momento mais crítico dentro do Humap-UFMS, segue sendo escrita com a força de quem resiste e com o cuidado de profissionais que acreditam que salvar vidas é também reconstruí-las. Uma narrativa que lembra, com delicada contundência, que mesmo quando tudo parece desabar, o impossível ainda pode acontecer.

O Humap-UFMS integra a Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a empresa pública administra atualmente 45 hospitais universitários federais. Essas unidades atendem pacientes do SUS enquanto formam profissionais de saúde e impulsionam pesquisas e inovações, combinando cuidado, ciência e ensino em uma única engrenagem — a mesma que, em novembro de 2022, ajudou João Miguel a recomeçar.
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