Senar/MS lança curso técnico gratuito em Segurança do Trabalho para suprir expansão do setor florestal e do agro

De esmagadoras de grãos e usinas de etanol de milho ao crescimento da fruticultura e das florestas plantadas, as operações rurais e industriais deixam de ser atividades de baixa complexidade e passam a exigir profissionais altamente especializados.

23 novembro, 2025 - 19h19


Por: Daniela Santos – Notícias do Cerrado

A crescente transformação econômica de Mato Grosso do Sul, marcada pela chegada de grandes indústrias, ampliação da fronteira agrícola e o avanço acelerado do setor florestal, tem provocado um movimento silencioso — porém decisivo — no mercado de trabalho: a corrida por profissionais capacitados em Segurança do Trabalho. Para responder a essa demanda que só cresce, o Senar/MS abriu inscrições para seu novo curso técnico gratuito na área, com duração de dois anos e polos em Campo Grande, Ivinhema e Maracaju.

As vagas seguem abertas até 24 de novembro, destinadas a candidatos com ensino médio completo. A previsão é que as aulas comecem em 23 de fevereiro de 2026. A seleção e os editais estão disponíveis no portal etec.senar.org.br, onde também é possível consultar os polos participantes.

A formação, totalmente gratuita, surge no momento exato em que o estado vive uma das maiores revoluções produtivas de sua história.

De esmagadoras de grãos e usinas de etanol de milho ao crescimento da fruticultura e das florestas plantadas, as operações rurais e industriais deixam de ser atividades de baixa complexidade e passam a exigir profissionais altamente especializados.

“São atividades de alto risco, que precisam de técnicos preparados para garantir ambientes seguros”, afirma Gustavo Cavalca, diretor do Centro de Excelência em Bovinocultura de Corte.

Os números comprovam essa virada. Dados do Novo Caged mostram que os vínculos formais de técnicos em segurança do trabalho em MS saltaram de 883, em 2015, para 1.294 em 2022 — um avanço superior a 46% em apenas sete anos. A valorização também aparece no salário: a remuneração média passou de R$ 3.182,33 para R$ 4.535,31 no mesmo período.

VALE DA CELULOSE

E se a demanda já era significativa, ela deve crescer ainda mais com a consolidação do Vale da Celulose, em Ribas do Rio Pardo, hoje o maior polo florestal em expansão do país, e com os novos investimentos previstos no setor de base florestal. A cadeia produtiva que gira em torno do eucalipto — da formação de mudas às grandes plantas industriais — exige mão de obra qualificada e protocolos rígidos de segurança. Apenas a fase de colheita, transporte e processamento emprega milhares de trabalhadores expostos a riscos mecânicos, químicos e operacionais.

“Empregadores precisam de profissionais que entendam profundamente Normas Regulamentadoras como a NR 31, essencial para a segurança no trabalho agrícola, e a NR 12, voltada às máquinas e implementos”, explica Lucas Silva, gerente educacional do Senar/MS. “É um mercado em plena evolução, que busca técnicos preparados para atuar tanto no campo quanto nas indústrias que fortalecem o agro.”

Além do curso técnico, o Senar/MS mantém 15 capacitações de Formação Profissional Rural voltadas à saúde e segurança, abordando prevenção de acidentes, uso correto de EPIs, primeiros socorros, trabalho em altura, máquinas, defensivos e combate a incêndios — este último alinhado às normas técnicas do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.

Mas a segurança no campo vai além do cumprimento de normas. É, como reforça Silva, “um valor inegociável”, que protege vidas, fortalece a sustentabilidade das propriedades rurais e reduz perdas operacionais.

PREVENÇÃO

A procuradora do Trabalho Cláudia Fernanda Noriler, da Codemat, lembra que a prevenção começa pela análise detalhada do ambiente laboral, identificando riscos e implementando proteções coletivas. Ela cita avanços como a robotização da aplicação de defensivos e sistemas automáticos de travamento e emergência em máquinas — recursos que reduzem drasticamente a exposição humana a situações perigosas.

Para o Ministério Público do Trabalho, mecanização e modernização devem servir primeiro para retirar trabalhadores de atividades penosas e perigosas, e depois para ampliar conforto e segurança nas funções rotineiras. Mesmo assim, enfatiza a procuradora, nada substitui o papel da qualificação profissional.

Com a maturação do setor florestal, a expansão do Vale da Celulose e o avanço de novas fronteiras produtivas no estado, o técnico em Segurança do Trabalho deixa de ser apenas uma exigência legal e passa a ocupar uma posição estratégica na engrenagem do agro moderno.

O novo curso do Senar/MS nasce, portanto, não apenas como uma oportunidade de estudo, mas como um passaporte para um mercado aquecido, valorizado e que seguirá em expansão pelos próximos anos. Para muitos jovens e profissionais em transição, pode ser a porta de entrada para uma carreira sólida em um dos setores que mais crescem em Mato Grosso do Sul.

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