Leão XIV condena uso da religião para justificar conflitos e pede diálogo enquanto autoridades discutem fim da guerra no Paquistão
11 abril, 2026 - 15h58
Foto: Filippo Monteforte / AFP
Por: Redação Notícias do Cerrado
Em um momento de tensão internacional e expectativa por avanços diplomáticos, o papa Leão XIV fez neste sábado um apelo direto aos líderes mundiais pelo fim dos conflitos armados. A declaração ocorre no mesmo dia em que representantes dos Estados Unidos e do Irã se reuniram no Paquistão para discutir uma possível solução para a guerra que já se estende por seis semanas.
Durante uma vigília especial na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o pontífice adotou um tom firme ao classificar o cenário global como marcado por uma “loucura da guerra”. Primeiro papa de origem norte-americana, Leão XIV também criticou o uso da fé como justificativa para ações militares.
“Parem. É hora da paz. Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearmamento”, afirmou, em um dos trechos mais enfáticos de seu discurso.
Conhecido por uma comunicação cautelosa, o papa utilizou desta vez uma linguagem mais incisiva. Ele citou relatos de crianças que vivem em áreas de conflito, descrevendo experiências de “horror e desumanidade”, para reforçar o impacto humanitário da guerra.
Sem mencionar diretamente autoridades, suas declarações dialogam com críticas recentes feitas por setores da Igreja a líderes políticos que recorrem a argumentos religiosos para legitimar ações militares. Segundo o pontífice, essa prática distorce valores fundamentais da fé. “Até mesmo o santo nome de Deus, o Deus da vida, está sendo arrastado para discursos de morte”, disse.
Leão XIV também evocou precedentes históricos para reforçar sua posição, lembrando o posicionamento do João Paulo II contra a invasão do Iraque em 2003. Na época, o então papa alertou para as consequências de uma guerra baseada em justificativas frágeis e interesses estratégicos.
O atual líder da Igreja Católica voltou ainda a criticar o que chamou de “ilusão de onipotência”, expressão usada para descrever a crença de que o poder militar pode resolver disputas complexas. Para ele, esse pensamento tem contribuído para um cenário global cada vez mais instável e imprevisível.
A vigília deste sábado havia sido anunciada na mensagem de Páscoa, quando o papa já havia sinalizado preocupação com o agravamento dos conflitos internacionais. Na ocasião, ele afirmou que Deus rejeita orações de líderes que promovem guerras, dizendo que tais ações tornam incompatível qualquer invocação religiosa.
Enquanto isso, os encontros diplomáticos no Paquistão são acompanhados com cautela pela comunidade internacional. Ainda não há confirmação de avanços concretos, mas o gesto do papa reforça a pressão moral e simbólica por uma solução negociada.
Ao final da cerimônia, a mensagem foi clara e direcionada: a paz, segundo o pontífice, não será construída pela força, mas pela disposição real de diálogo entre nações.
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