El Niño deve ganhar força e persistir até fevereiro de 2027, alerta ONU

Organização Meteorológica Mundial prevê intensidade muito forte do fenômeno nos próximos meses e alerta para aumento dos riscos de calor extremo, secas e inundações em diferentes regiões do planeta.

03 setembro, 2026 - 11h14


Por: Redação Notícias do Cerrado
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O fenômeno El Niño está em processo de intensificação e poderá atingir uma condição considerada “muito forte” nos próximos meses, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade também aponta uma probabilidade próxima de 100% de que o evento climático permaneça ativo até fevereiro de 2027.

A previsão consta da mais recente atualização da OMM, divulgada nesta quinta-feira (3). De acordo com a organização, o fortalecimento do El Niño deverá provocar alterações importantes nos padrões de temperatura e de precipitação em diferentes partes do mundo, elevando também os riscos de eventos extremos, como secas, inundações e ondas de calor.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o cenário exige preparação diante da intensificação dos fenômenos climáticos extremos. Segundo ele, o planeta atravessa um período de riscos crescentes associados ao aquecimento global.

Temperatura do Pacífico segue em alta

O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre, em geral, a cada dois a sete anos. Ele se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental, provocando alterações nos ventos, na pressão atmosférica e nos regimes de chuva em diversas regiões do planeta.

Segundo a OMM, as temperaturas da superfície do mar na área de influência do fenômeno já estão significativamente acima da média e continuam subindo. Entre maio e julho de 2026, a temperatura ficou, em média, 1,5°C acima do normal. Em julho, a diferença chegou a 2°C.

Entre o fim de julho e meados de agosto, foram registradas temperaturas entre 2,2°C e 2,6°C acima da média em determinadas áreas. Para a organização, os dados demonstram o contínuo fortalecimento do fenômeno. Abaixo da superfície do oceano, algumas áreas também apresentaram temperaturas superiores à média em mais de 0,8°C durante julho e o início de agosto.

Impactos podem atingir diferentes continentes

Os efeitos do El Niño variam de acordo com a intensidade e as características de cada ocorrência. Historicamente, o fenômeno está associado ao aumento do risco de seca e incêndios em partes da Amazônia, América Central, Indonésia e Austrália. Também pode interferir no regime de monções na Índia e favorecer episódios de chuva intensa na África Oriental.

A OMM alerta que, entre setembro e novembro de 2026, existe uma probabilidade elevada de temperaturas acima da média em quase todas as áreas continentais. As projeções também indicam padrões de chuva compatíveis com uma resposta atmosférica forte ao El Niño no Pacífico.

Os efeitos do fenômeno ocorrem em um cenário já marcado pelas mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas. De acordo com a organização, essa combinação pode agravar a ocorrência e a intensidade de eventos extremos.

2027 pode entrar para a história

Outro fator de preocupação está relacionado ao comportamento das temperaturas globais após episódios de El Niño. No ano seguinte ao fenômeno, parte do calor armazenado no oceano é liberada para a atmosfera, contribuindo para o aumento da temperatura média do planeta.

Com base nesse comportamento, cientistas climáticos avaliam que 2027 poderá se tornar o ano mais quente já registrado. O atual recorde pertence a 2024, que também foi marcado pelos efeitos do El Niño anterior.

Diante da perspectiva de intensificação do fenômeno, a ONU reforça a necessidade de preparação para os impactos climáticos. O alerta envolve governos, comunidades e setores econômicos que podem ser afetados por mudanças no regime de chuvas, períodos prolongados de seca, calor extremo e episódios de precipitação intensa.

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