Ribas amplia cirurgias ortopédicas e atende pacientes de 40 municípios de MS

Parceria entre Prefeitura e Governo de Mato Grosso do Sul já resultou em mais de 370 procedimentos e fortalece a regionalização do atendimento especializado no interior

09 setembro, 2026 - 09h31


A ortopedista Maria Helena explica que a proposta do serviço é acompanhar o paciente em diferentes etapas

Por: Redação Notícias do Cerrado
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O que começou como uma mudança de endereço terminou, para Ivanilda, em uma longa jornada de recuperação. Aos 67 anos, a autônoma chegava a Ribas do Rio Pardo para iniciar uma nova fase da vida quando, no dia 19 de março, sofreu um acidente. Antes mesmo de passar a primeira noite na casa nova, precisou lidar com fraturas no pé, na tíbia e no joelho, além de uma rotina marcada por dores, cirurgias e reabilitação.

Meses depois, embora ainda conviva com limitações, Ivanilda consegue perceber a evolução. A mobilidade que tinha antes do acidente ainda não foi totalmente recuperada, mas a melhora representa, para ela, um avanço importante. “Foi uma experiência muito difícil e ainda não terminou, porque perdi a mobilidade que eu tinha antes. Mas, olhando para como eu estava meses atrás, hoje estou muito melhor, graças a Deus”, relata.

A história da paciente se conecta a uma mudança na oferta de atendimento ortopédico em Ribas do Rio Pardo. A partir da parceria entre a Prefeitura e a Secretaria de Estado de Saúde, o município ampliou a realização de cirurgias de trauma ortopédico e passou a receber pacientes encaminhados de outras cidades de Mato Grosso do Sul. A iniciativa integra a estratégia de regionalização da saúde adotada pelo Governo do Estado.

Atendimento especializado mais perto do paciente

A proposta é ampliar a capacidade de atendimento fora dos grandes centros e fazer com que procedimentos especializados estejam disponíveis também em municípios do interior. Em Ribas do Rio Pardo, a medida alterou a posição da cidade dentro da rede pública de saúde, que passou a atuar não apenas no atendimento à população local, mas também como referência para pacientes de outras regiões.

Desde o reforço do serviço, em julho, mais de 370 cirurgias ortopédicas foram realizadas no município. Ao todo, pacientes de 40 cidades de Mato Grosso do Sul já foram atendidos. A estrutura busca absorver parte da demanda por procedimentos, especialmente em casos relacionados a acidentes, quedas e outros tipos de trauma.

A regionalização também representa uma tentativa de reduzir a necessidade de deslocamentos até os maiores polos de saúde. Para pacientes que vivem distante desses centros, a possibilidade de realizar uma cirurgia em outra cidade do interior pode significar menos tempo de viagem e maior proximidade durante o processo de recuperação.

Entre os pacientes beneficiados está Chrisptofer Mellin, de 36 anos, editor de vídeo e morador de Bonito. Após sofrer um acidente de trânsito enquanto pedalava para o trabalho, ele fraturou o tornozelo e o cotovelo direitos e precisou viajar aproximadamente 400 quilômetros até Ribas do Rio Pardo para realizar a cirurgia.

Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, a descentralização procura fazer com que procedimentos antes concentrados nos grandes centros estejam disponíveis também no interior.

“Ao descentralizar procedimentos antes concentrados nos grandes centros, o programa busca oferecer respostas mais rápidas aos pacientes e fortalecer a capacidade de atendimento dos municípios”, afirma.

De Bonito a Ribas em busca da cirurgia

Além da preocupação com o procedimento, Chrisptofer tinha outro receio. Autista e sem acompanhante naquele momento, temia enfrentar sozinho o período de internação e o impacto emocional provocado pela situação. Segundo ele, a maneira como foi recebido pela equipe fez diferença durante a permanência no hospital.

“Eu estava sozinho e tinha medo de passar por um estresse muito intenso, mas isso não aconteceu. Toda a equipe me deixou tranquilo e confortável”, conta.

A experiência também mudou a percepção que tinha sobre o deslocamento. Depois de percorrer centenas de quilômetros para chegar ao município, Chrisptofer avaliou que a viagem compensou pelo atendimento recebido. “Valeu a pena ter viajado tudo isso. Fui muito bem tratado, com uma preocupação genuína não só com meu estado de saúde, mas também emocional”, afirma.

Para Ivanilda, a relação com os profissionais também se tornou parte importante do processo de recuperação. Ela destaca a atuação da ortopedista Maria Helena e do médico Simon, ressaltando o cuidado recebido durante o tratamento. “Eles têm empatia, se colocam no lugar da gente. São profissionais que amam o que fazem. Eu só tenho gratidão por todo o cuidado que tiveram comigo”, diz.

 

Estrutura amplia papel regional de Ribas

A ortopedista Maria Helena explica que a proposta do serviço é acompanhar o paciente em diferentes etapas, desde a entrada no hospital até o período posterior à cirurgia. Segundo ela, o fortalecimento da equipe permitiu ampliar a capacidade de atendimento sem interromper a assistência destinada aos moradores de Ribas do Rio Pardo.

“O que construímos em Ribas do Rio Pardo mostra que cidades do interior também conseguem oferecer atendimento especializado e resolutivo. Hoje contamos com diversas subespecialidades da ortopedia e uma equipe preparada desde o acolhimento até o pós-operatório”, afirma.

A consolidação desse modelo depende da integração entre a equipe médica, o centro cirúrgico, a gestão municipal e a Secretaria de Estado de Saúde. A articulação busca dar maior capacidade de resposta aos casos que necessitam de intervenção cirúrgica e, ao mesmo tempo, distribuir parte da demanda por atendimento especializado entre diferentes municípios.

A ampliação das cirurgias transformou Ribas do Rio Pardo em um ponto de referência regional para pacientes ortopédicos. Com mais de 370 procedimentos realizados e pessoas encaminhadas de 40 municípios, o município passou a participar de forma mais ativa da estratégia de descentralização da assistência especializada em Mato Grosso do Sul.

Por trás dos números, porém, estão histórias como as de Ivanilda e Chrisptofer. Um deles percorreu cerca de 400 quilômetros para realizar uma cirurgia. A outra chegou à cidade para começar uma nova vida e, no primeiro dia, viu seus planos serem interrompidos por um acidente. Em comum, os dois encontraram em Ribas do Rio Pardo não apenas o procedimento médico de que precisavam, mas também uma estrutura de atendimento capaz de acolher pacientes vindos de diferentes regiões do Estado.

 

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