Ribas do Rio Pardo lidera área de florestas plantadas no Brasil e coloca MS no centro da silvicultura

Município alcançou 537 mil hectares de florestas plantadas em 2025 e também ficou em segundo lugar nacional em valor da produção, com R$ 1 bilhão; Estado reúne as sete maiores áreas do país

24 setembro, 2026 - 16h41


O avanço coloca o município no centro de uma cadeia produtiva que transformou Mato Grosso do Sul em um dos principais polos florestais do país. (FOTO: Arquivo)

Por: Redação Notícias do Cerrado
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Ribas do Rio Pardo consolidou em 2025 uma posição que ajuda a explicar a transformação econômica vivida pelo município nos últimos anos. Dados da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que Ribas possui a maior área de florestas plantadas do Brasil, com 537.011 hectares. O número representa crescimento de aproximadamente 40,7% em relação ao ano anterior.

O avanço coloca o município no centro de uma cadeia produtiva que transformou Mato Grosso do Sul em um dos principais polos florestais do país. O Estado reúne, sozinho, os sete municípios brasileiros com as maiores áreas de florestas plantadas. Depois de Ribas do Rio Pardo aparecem Três Lagoas, com 348.117 hectares; Água Clara, com 186.680; Brasilândia, com 158.631; Santa Rita do Pardo, com 119.289; Selvíria, com 108.654; e Inocência, com 107.169 hectares.

A dimensão dessa concentração também aparece no resultado estadual. Mato Grosso do Sul terminou 2025 com aproximadamente 1,9 milhão de hectares destinados à silvicultura, crescimento de 30,3% em um ano. O eucalipto representa 99,7% dessa área. Minas Gerais continua à frente no total estadual, mas o ritmo de expansão sul-mato-grossense reforça a posição do Estado entre os principais territórios produtores de madeira cultivada do país.

Ribas também avança em valor de produção

A liderança territorial de Ribas do Rio Pardo vem acompanhada de forte crescimento econômico da atividade. Em 2025, o município alcançou aproximadamente R$ 1 bilhão em valor da produção da silvicultura, saltando da sexta para a segunda posição no ranking nacional. O primeiro lugar ficou com Três Lagoas, que registrou cerca de R$ 1,83 bilhão.

Em Ribas, a madeira em tora destinada à fabricação de papel e celulose respondeu por R$ 903,7 milhões, equivalente a 90,3% do valor total da silvicultura municipal. Foram produzidos 4,9 milhões de metros cúbicos desse tipo de madeira, resultado que evidencia a conexão direta entre a expansão da base florestal e a indústria de celulose instalada no município.

O salto ocorre em um período de profunda mudança na estrutura econômica local. Em julho de 2024, a Suzano iniciou a operação da fábrica construída por meio do Projeto Cerrado, empreendimento com capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano. O projeto recebeu investimento total de R$ 22,2 bilhões e incluiu, além da unidade industrial, recursos destinados à formação da base florestal e à estrutura logística.

Uma cadeia que ultrapassa os limites do município

Os números do IBGE mostram que a transformação não está restrita a Ribas do Rio Pardo. Mato Grosso do Sul alcançou R$ 5,62 bilhões em valor de produção da silvicultura em 2025, alta de 65% sobre o ano anterior, e passou a ocupar a terceira posição entre os Estados brasileiros, atrás de Minas Gerais e Paraná.

No mesmo período, o Estado produziu cerca de 30 milhões de metros cúbicos de madeira em tora destinada à fabricação de papel e celulose, crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2024 e maior volume entre os Estados brasileiros. A expansão da produção acompanha o crescimento da área plantada e o fortalecimento da cadeia industrial ligada à celulose.

Em Ribas, os efeitos dessa cadeia também aparecem na estrutura produtiva e na demanda por profissionais ligados às atividades florestais, de manutenção, logística e operação. Em setembro, a Suzano mantinha processos seletivos para diferentes funções no município, incluindo áreas florestais, manutenção, operação e programas de aprendizagem.

Fonte: RCN67

De território florestal a polo de desenvolvimento

O crescimento da silvicultura ajuda a explicar a nova escala econômica de Ribas do Rio Pardo. O município, que tinha 23.150 habitantes no Censo 2022, possui atualmente população estimada em 24.300 pessoas pelo IBGE. Sua área territorial é de 17.315,2 quilômetros quadrados, o que também contribui para a disponibilidade territorial necessária à expansão da atividade florestal.

A expansão da base florestal, entretanto, ocorre em paralelo a iniciativas voltadas à conservação. Nesta semana, uma área de 1.209 hectares localizada em propriedade da Suzano no município passou a integrar a Reserva Particular do Patrimônio Natural Cerrado Protegido. A unidade reúne nascentes, diferentes formações de vegetação nativa e áreas importantes para a biodiversidade, segundo informações divulgadas pela empresa.

O movimento reforça uma característica cada vez mais presente na economia de Ribas: a combinação entre floresta plantada, indústria, logística, geração de oportunidades e iniciativas de conservação. Em março deste ano, a Prefeitura e a Suzano também entregaram o Plano de Desenvolvimento Municipal “Ribas 100 Anos”, elaborado com diagnóstico socioeconômico e diretrizes para orientar o crescimento sustentável do município nas próximas décadas.

MS domina o mapa das florestas plantadas

No cenário nacional, os números colocam Mato Grosso do Sul em uma posição singular. Além de concentrar as sete maiores áreas municipais de florestas plantadas, o Estado aparece entre os principais produtores de madeira destinada à indústria de papel e celulose. O resultado é consequência de uma cadeia que reúne produção florestal, tecnologia, transporte e processamento industrial.

Para Ribas do Rio Pardo, entretanto, o dado mais expressivo está na escala alcançada em apenas um ano. Os cerca de 155 mil hectares acrescentados à área de florestas plantadas entre 2024 e 2025 fizeram o município ampliar ainda mais sua distância em relação aos demais municípios brasileiros e assumir a liderança nacional.

Mais do que um número no levantamento do IBGE, os 537 mil hectares colocam Ribas do Rio Pardo como uma das principais referências brasileiras em florestas plantadas. A expansão da silvicultura, associada à operação da indústria de celulose e à formação de uma cadeia de fornecedores e serviços, ajuda a desenhar uma nova etapa da economia rio-pardense e consolida o município como um dos principais territórios da chamada Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul.

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