Estado vive expansão do emprego formal e amplia sua conexão logística com outros mercados, enquanto organizações buscam preparar gestores para sustentar o crescimento
24 setembro, 2026 - 15h30
A expansão das operações aumenta a demanda por profissionais, acelera a formação de equipes e coloca empresas tradicionais e novos empreendimentos na disputa pelos mesmos talentos.
Por: Evelise Couto
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A transformação já aparece nos números do mercado de trabalho. Segundo levantamento do Observatório da Indústria do Sistema Fiems, com base em dados do Novo Caged, a atividade industrial de Mato Grosso do Sul criou 10.125 empregos formais entre janeiro e julho de 2026, o equivalente a 53% do saldo de novas vagas com carteira assinada no Estado no período. O desempenho é impulsionado, principalmente, pelos investimentos em construção e ampliação de fábricas e pelo avanço de obras de infraestrutura.
Ao mesmo tempo, a Rota Bioceânica amplia a perspectiva de integração de Mato Grosso do Sul com outros mercados da América do Sul e cria novas possibilidades para cadeias produtivas, logística e comércio internacional.
Esse cenário traz uma questão que vai além da infraestrutura: as empresas estão preparando suas lideranças e seus times para crescer na mesma velocidade?
Crescer também muda a dinâmica dos times
A expansão das operações aumenta a demanda por profissionais, acelera a formação de equipes e coloca empresas tradicionais e novos empreendimentos na disputa pelos mesmos talentos. Mas contratar mais gente é apenas uma parte do desafio.
Times que crescem rapidamente precisam incorporar novos profissionais, alinhar formas de trabalho, preservar a cultura organizacional e manter comunicação, produtividade e capacidade de decisão mesmo em estruturas maiores e mais complexas.
Para Elaine Fernandes, sócia da P2B Cultura & Liderança, consultoria especializada em cultura organizacional e desenvolvimento de lideranças, o crescimento econômico precisa vir acompanhado de um investimento igualmente estratégico na preparação das pessoas.
“Estamos vendo Mato Grosso do Sul ampliar indústrias, gerar empregos e se conectar a novos mercados. Esse crescimento muda também o tamanho do desafio dentro das empresas. É preciso preparar líderes e times para trabalhar em ambientes mais complexos, integrar novas pessoas, fortalecer relações e preservar a cultura durante a expansão”, afirma.
Lideranças precisam crescer junto com a operação
Nesse ambiente, o papel do gestor também muda. Líderes que antes conduziam equipes menores passam a lidar com estruturas maiores, profissionais de diferentes perfis, novas tecnologias e uma pressão maior por resultados.
Na prática, esse movimento já leva empresas a rever a forma como desenvolvem seus gestores e suas equipes. Diagnósticos de liderança, trilhas de desenvolvimento, mentorias e programas de formação contínua passam a ganhar espaço como ferramentas para identificar lacunas, preparar sucessores e fortalecer competências importantes para ambientes de crescimento acelerado.
Também cresce a necessidade de desenvolver times mais autônomos, capazes de colaborar, tomar decisões e responder com mais rapidez às mudanças do negócio.
Disputa por profissionais aumenta pressão sobre a gestão
Outro ponto de atenção é a fidelização de profissionais. Quanto maior o número de empresas e projetos em expansão, maior a competição por trabalhadores qualificados. Nesse cenário, remuneração é apenas um dos fatores considerados pelos profissionais.
Qualidade da liderança, oportunidade de desenvolvimento, ambiente de trabalho, clareza sobre carreira e identificação com a cultura da empresa passam a influenciar diretamente a capacidade de atrair e vincular profissionais.
“A infraestrutura abre caminhos para novos mercados, mas são as pessoas que vão fazer as empresas percorrerem esses caminhos. A pergunta que precisamos fazer agora é se estamos formando lideranças e construindo times na mesma velocidade em que Mato Grosso do Sul está crescendo”, completa Elaine.
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